Modernidades fotográficas, 1940-1964 (IMS-RJ)

Informações

Após temporadas em Berlim, Lisboa, Paris e Madri, Modernidades Fotográficas, 1940-1964 – com trabalhos dos fotógrafos José Medeiros, Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Hans Gunter Flieg – chega ao Rio eleita uma das cinco melhores exposições do mundo para serem visitadas.

 

Modernidades fotográficas, 1940-1964 é a nova exposição de longa duração em cartaz na Galeria Marc Ferrez no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. Até 26 de fevereiro de 2017, será possível explorar mais de 160 imagens de quatro grandes fotógrafos brasileiros num período crucial para a formação da fotografia moderna no país. Com curadoria de Ludger Derenthal, coordenador da coleção de fotografia da Kunstbibliothek em Berlim, e Samuel Titan Jr., coordenador executivo cultural do IMS, a mostra apresenta do fotojornalismo de José Medeiros (1921-1990) ao modernismo de Marcel Gautherot (1910-1996), da abstração de Thomaz Farkas (1924-2011) à fotografia industrial de Hans Gunter Flieg (1923) – com um país em rápida e contraditória transformação como pano de fundo. 

Em outubro de 2013, a exposição Modernidades fotográficas, 1940-1964 iniciou sua itinerância pelo Museum für Fotografie, em Berlim, depois seguiu para a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e em seguida para a Fondation Calouste Gulbenkian, em Paris. Por fim, foi exibida no fim do ano passado no Círculo de Belas-Artes de Madri. Acompanha a mostra um catálogo com dois ensaios de Samuel Titan Jr. e textos de Lorenzo Mammì, curador geral de programação e eventos do IMS,Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS, e Helouise Costa, curadora do Museu de Arte contemporânea (MAC USP). 

Em um período de grande fluxo migratório, a origem dos quatro fotógrafos não poderia ser mais distinta. Gautherot era parisiense, de origem operária, com formação em arquitetura e com a vida mais nômade entre eles. Simpático à esquerda, tinha especial interesse pelo processo de formação de uma identidade nacional e colaborou com diversas iniciativas e órgãos do Estado brasileiro. Flieg, judeu alemão que fugiu do nazismo e da guerra, foi o único a estabelecer um estúdio fotográfico e prestou serviço para clientes quase sempre industriais, criando para si uma imagem de fotógrafo profissional. Medeiros, brasileiro do Piauí, estado pobre e sem tradições artísticas, foi o fotojornalista por excelência, aprendendo o ofício no dia a dia das redações do Rio de Janeiro, onde se estabeleceu. Farkas nasceu em Budapeste, em uma família de comerciantes judeus de material fotográfico, se interessou bastante jovem pela fotografia como linguagem e se tornou o mais “artista”, o mais “vanguardista” do grupo. 

Essa riqueza cultural resultou em uma exposição de grande variedade formal e estilística, mas também de enorme riqueza como registro documental de um país vasto e plural. Os temas são os mais variados: paisagens intocadas na Amazônia, fábricas e usinas, religiões africanas, futebol e carnaval, estátuas e igrejas barrocas, ferramentas mecânicas, festejos populares no campo, glamour mundano e cosmopolita nas cidades, tribos indígenas no Centro-Oeste, edifícios modernistas em São Paulo e no Rio de Janeiro, além, claro, da construção da capital do país. 

A partir de 1940, quando se fixa definitivamente no Brasil, Gautherot empenhou-se em registrar e conhecer o país que adotou, viajando muito, especialmente para o Norte e o Nordeste. Logo de início, foi trabalhar junto com o Serviço do Patrimônio Histórico, registrando monumentos do período colonial, especialmente a arquitetura barroca e a obra do Aleijadinho em Minas Gerais. Nessa mesma época, tornou-se o fotógrafo preferido de Oscar Niemeyer, fotografando suas criações, e teve amplo acesso à construção de Brasília, onde registrou os três anos de obras da cidade. Sua convivência e amizade com intelectuais ligados ao movimento modernista dos anos 1920 o levaram a documentar também as festas populares brasileiras.           

Para entender a obra de Medeiros, é preciso considerá-la dentro do universo da imprensa. Sua linguagem fotográfica se estabeleceu no diálogo entre o fotojornalismo e as grandes revistas ilustradas que existiam nas décadas de 1940 e 1950, sendo a revista O Cruzeiro o melhor exemplo brasileiro, onde trabalhou por 15 anos. Suas coberturas fotográficas iam da vida glamurosa do Rio de Janeiro, com seus personagens deixando-se fotografar, ao rito de iniciação do candomblé na Bahia. Documentou também a Marcha para o Oeste, programa estatal de ocupação e consolidação de territórios, do qual a construção de Brasília foi parte fundamental. 

Farkas ganhou sua primeira câmera aos oito anos de idade e explorou a região onde morava, registrando a passagem de um Zeppelin, em 1936, e a inauguração do estádio do Pacaembu, em 1940. Mas só dois anos mais tarde deu seu passo decisivo para se tornar fotógrafo, ao ingressar no Foto Cine Clube Bandeirantes, onde se encontravam nomes como Geraldo de Barros e German Lorca. Ali, se interessou por uma ideia de gramática visual pura, flertando eventualmente com a abstração. Nos anos seguintes, sua amizade com Medeiros o levou a se aproximar de uma fotografia mais humanista, mas nunca esquecendo suas primeiras referências. A partir desse momento, iniciou sua passagem gradual para o cinema documental e surgiu então a Caravana Farkas, responsável por uma série de filmes documentários de curta e média-metragem, a maioria em 16 mm, que tinham o propósito de apresentar ao Brasil facetas pouco conhecidas do país. 

Flieg chegou ao Brasil em 1939 com algum conhecimento em fotografia, por ter trabalhado, ainda em Berlim, com a fotógrafa Grete Karplus, além de algum conhecimento das vertentes da fotografia contemporânea alemã, como a Bauhaus e o movimento Neue Sachlichkeit (Nova Visão). Com essa bagagem, instalou-se em São Paulo e abriu seu estúdio, construindo uma imagem de excelência profissional. Durante três décadas, acumulou um arquivo de imagens que documenta como poucos o processo de industrialização do Brasil, especialmente da cidade que escolheu viver. Atendeu clientes como Pirelli, Mercedes-Benz e Willys-Overland, além de ter fotografado grandes projetos de engenharia. Seus trabalhos normalmente eram encomendas para campanhas publicitárias ou para relatórios e brochuras institucionais.

Exposições

Modernidades fotográficas, 1940-1964
Curadoria: Ludger Derenthal e Samuel Titan Jr.

Visitação: de 20 de março de 2016 a 26 de fevereiro de 2017
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca - Classificação livre

Local

Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

Horário de visitação: de terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11h às 20h.

  • Brasília, 1960. Foto de Thomaz Farkas / acervo IMS
  • Praia de Copacabana, 1947. Copacabana, Rio de Janeiro, RJ - Brasil. Foto de Thomaz Farkas / acervo IMS
  • Telhas, série recortes, 1945. São Paulo, SP - Brasil. Foto de Thomaz Farkas / acervo IMS
  • Instalações da Incineradora Usina da Ponte Pequena, 1959. Distrito do Bom Retiro, São Paulo, SP - Brasil. Foto de Hans Gunter Flieg / acervo IMS
  • Edifício sede Pirelli, 1961. Rua Barão de Piracicaba esquina com a Rua Ribeiro da Silva; Bairro Campos Elíseos. São Paulo, SP - Brasil. Foto de Hans Gunter Flieg / acervo IMS
  • Puxada do Xaréu, c. 1940. Bahia - Brasil. Foto de Marcel Gautherot / acervo IMS
  • Porto em frente ao mercado Ver-o-Peso, c.1954. Belém, Pará - Brasil. Foto de Marcel Gautherot / acervo IMS
  • Iemanjá, sem data. Rio de Janeiro, RJ - Brasil. Foto de Marcel Gautherot / acervo IMS
  • Linha de bonde, 1942. Rio de Janeiro, RJ - Brasil. Foto de José Medeiros / acervo IMS
  • A Pedra da Gávea, o Morro Dois Irmãos e as praias de Ipanema e Leblon, 1952. Praia do Arpoador, Rio de Janeiro, RJ - Brasil. Foto de José Medeiros / acervo IMS

"Modernidades pelo mundo"

 

A exposição Modernidades fotográficas, 1940-1964 – com obras dos fotógrafos José Medeiros, Hans Gunter Flieg, Marcel Gautherot e Thomaz Farkas que integram o acervo do Instituto Moreira Salles – está viajando pelo mundo desde 2013.

Onde está agora

Rio de Janeiro, Brasil

Instituto Moreira Salles

 

Onde já esteve

Madri, Espanha

de 5 de novembro a 31 de janeiro de 2016

Círculo de Belas-Artes de Madri (CBA)
Calle de Alcalá, 42, 28014 Madri - Espanha

Página da exposição Modernidades: fotografia brasileira no site da CBA


Paris, França

de 6 de maio a 26 de julho de 2015

Fondation Calouste Gulbenkian – Délégation en France
39, Bd.de La Tour-Maubourg, 75007 Paris - França

Página da exposição Modernités: photographie brésilienne no site da Gulbenkian


Um passeio pela exposição em cartaz na Délégation en France da Fundação Gulbenkian, em Paris:

 

Lisboa, Portugal

de 21 de fevereiro a 19 de abril de 2015

Fundação Calouste Gulbenkian
Av. Berna, 45, 1067-001 Lisboa - Portugal

Página da exposição Modernidades: fotografia brasileira no site da Gulbenkian 

 


Berlim, Alemanha

2013

Museu da Fotografia de Berlim

Modernidades fotográficas, 1940-1964
Curadoria: Ludger Derenthal e Samuel Titan Jr.

Visitação: de 20 de março de 2016 a 26 de fevereiro de 2017
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca - Classificação livre

Local

Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

Horário de visitação: de terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11h às 20h.

Eventos

 

Visitas mediadas

As visitas agendadas e espontâneas são mediadas por educadores e oferecidas gratuitamente e regularmente no IMS do Rio de Janeiro.

 

Visitas agendadas
De terça a sexta, em horário a ser agendado.
Agendar pelo telefone (21) 3284 7485 ou pelo email educativo.rj@ims.com.br
Voltadas para escolas, universidades públicas e privadas e para grupos em geral (a partir de 6 anos de idade) com agendamento prévio.


Visitas espontâneas
Quintas, às 17h.
Voltadas para grupos em geral (a partir de 6 anos de idade) ou pessoas desacompanhadas, sem necessidade de agendamento prévio. O ponto de encontro é a recepção da casa.

Mais informações sobre as visitas

 


  

Eventos anteriores

 

Conversa na galeria com Mauricio Lissovsky

 

16 de julho, sábado, às 17h  |  Local: IMS-RJ

Mauricio Lissovsky é historiador, roteirista de cinema e TV, professor da Escola de Comunicação da UFRJ.

 

A série Conversas na galeria promove o encontro de críticos, professores e especialistas com o público nos espaços expositivos do IMS, estimulando o debate em contato direto com as obras de arte.

 

Exibição do filme Improvável encontro, seguida de debate


16 de julho, sábado, às 18h30
  |  Local: IMS-RJ

Sessão seguida por um debate com o diretor Lauro Escorel, o jornalista e crítico Carlos Alberto Mattos e Samuel Titan Jr., curador da exposição Modernidades fotográficas, em cartaz no IMS-RJ.

 

Totalmente realizado sobre fotografias de José Medeiros e Thomaz Farkas, o filme narra suas trajetórias, seu encontro, o desenrolar da sua amizade e as influências recíprocas. Através do diálogo entre as imagens, o documentário nos mostra a contribuição que os jovens José Medeiros e Thomaz Farkas deram para a consolidação da moderna fotografia brasileira, inaugurada nas décadas de 1940/50. As fotografias de Medeiros e Farkas daquele período, contribuíram de forma significativa, para o estabelecimento de uma nova representação visual do país. O filme mostra como a ideia de mostrar o Brasil aos brasileiros já se encontrava presente na obra fotográfica dos futuros cineastas.

 

Outros dias e horários de exibição de Improvável encontro, de Lauro Escorel

 

Modernidades fotográficas, 1940-1964
Curadoria: Ludger Derenthal e Samuel Titan Jr.

Visitação: de 20 de março de 2016 a 26 de fevereiro de 2017
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca - Classificação livre

Local

Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

Horário de visitação: de terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11h às 20h.

Informações para a imprensa IMS


Bárbara Giacomet de Aguiar
(11) 3371-4490
barbara.aguiar@ims.com.br

 

Lana Ohtani Spolle
(11) 3371-4424
comunicacao@ims.com.br

Modernidades fotográficas, 1940-1964
Curadoria: Ludger Derenthal e Samuel Titan Jr.

Visitação: de 20 de março de 2016 a 26 de fevereiro de 2017
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca - Classificação livre

Local

Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

Horário de visitação: de terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11h às 20h.

Mais sobre Modernidades Fotográficas

 



BLOG DO IMS

Modernidades sem retoque 

O período entre 1940 e 1964 foi fundamental para a formação da fotografia moderna no país. Quatro fotógrafos, de origens muito diferentes, representam esse momento cultural na exposição Modernidades fotográficas, 1940-1964. Um deles, Hans Gunter Flieg, comenta o cenário da fotografia no pós-guerra.

 



BLOG DO IMS 

Aquarela do Brasil punk

Por Alfredo RibeiroProvocados pela pergunta ‘Que Brasil é esse que você acaba de ver?’, 120 dos mais de 6 mil visitantes contabilizados no primeiro mês em cartaz da exposição Modernidades fotográficas, 1940-1964 responderam a enquete com um misto de admiração e melancolia. 

 



BLOG DO IMS 

Encontro de olhares

Por José Geraldo Couto
Com seu instrumento de captação, controle e manipulação da luz – a câmera –, os grandes fotógrafos escrevem reportagens, poemas, comédias, epopeias. É o caso de José Medeiros (1921-1990) e Thomaz Farkas (1924-2011), dois gigantes da fotografia brasileira retratados no curta-metragem Improvável encontro – frente e verso, de Lauro Escorel, exibido pelo IMS RJ como parte da programação relacionada à exposição Modernidades fotográficas, 1940-1964.

 



BLOG DO IMS 

Quatro fotógrafos da vida moderna: Brasil 1940-1964

Por Samuel Titan Jr.
Ensaio de Samuel Titan Jr., coordenador executivo cultural do IMS, que consta no catálogo da exposição Modernidades fotográficas, 1940-1964. Aborda os trabalhos dos fotógrafos cujas fotos compõem a mostra: Marcel Gautherot (1910-1996), José Medeiros (1921-1990), Thomaz Farkas (1924-2011) e Hans Gunter Flieg (1923).

Modernidades fotográficas, 1940-1964
Curadoria: Ludger Derenthal e Samuel Titan Jr.

Visitação: de 20 de março de 2016 a 26 de fevereiro de 2017
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca - Classificação livre

Local

Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

Horário de visitação: de terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11h às 20h.

Exposições

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Millôr: obra gráfica (IMS-RJ)

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Modernidades: fotografia brasileira 1940-1964 (Círculo de Belas-Artes de Madri - Espanha)

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Luz, cedro e pedra – Esculturas do Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola

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Em 1964

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