Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro (IMS-Poços de Caldas)

Exposição

A exposição Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro reúne 150 imagens do noticiário do final dos anos 1940 e da década seguinte publicadas pela revista O Cruzeiro. Em cartaz no Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas de 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017.

Os originais da coleção mantida integralmente pelo IMS dão visibilidade ao talento ainda pouco conhecido de uma das estrelas do lendário fotojornalismo da revista. Destemido em coberturas mundo afora de guerras, revoluções e movimentos sociais, Luciano Carneiro ganhou fama de herói de seu tempo.

 

Do arquivo de um correspondente estrangeiro

Fotografias de Luciano Carneiro


Nascido em Fortaleza, em 1926, José Luciano Mota Carneiro foi um dos jornalistas mais atuantes de seu tempo. Trabalhou na revista O Cruzeiro entre 1948 e 1959, inicialmente como repórter e, em seguida, escrevendo e fotografando. Atuou como correspondente internacional, realizando reportagens sobre a Guerra da Coreia, a vida no Japão e na Rússia, a África de Albert Schweitzer, o Egito de Nasser, a Iugoslávia de Tito, a Revolução Cubana de Fidel, em 1959.

Durante a Guerra da Coreia, em 1951, Carneiro foi um dos únicos repórteres sul-americanos. Graças a seu treinamento como paraquedista, saltou, ao lado do exército americano, sobre as linhas norte-coreanas e chinesas além do paralelo 38, linha que até hoje divide as duas Coreias. Os registros da população civil e da destruição causada pela guerra revelam o engajamento de Luciano Carneiro com o drama humano que permeia cenários como este, em especial nos retratos de idosos, mulheres e crianças afetados e deslocados pelo conflito.

Além das coberturas internacionais, realizou matérias no Brasil sobre jangadeiros, posseiros, a seca no Nordeste, a herança do cangaço, as lutas estudantis, entre outras, e diversas matérias de caráter bastante autoral reunidas na seção “Do arquivo de um correspondente estrangeiro”, em que publicava matérias ilustradas com fotografias e textos de sua autoria, normalmente em duas páginas. Nessa seção, ficam claras suas influências e modelos associados à fotografia humanista do pós-guerra.

No final dos anos 1940 e início dos anos 1950, O Cruzeiro fez uma consistente inflexão em direção a um fotojornalismo mais humanista e engajado. Essa mudança foi concretizada por fotógrafos como José Medeiros, Flávio Damm, Luiz Carlos Barreto, Henri Ballot, Eugênio Silva e o próprio Carneiro, que passaram a integrar a equipe da revista, trazendo para as fotorreportagens maior ênfase na objetividade e no caráter documental e jornalístico.

Na mesma época, na Europa, fotógrafos como Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e David Seymour formaram a agência Magnum. O objetivo era garantir maior autonomia e liberdade para seus trabalhos de documentação fotográfica. Outros fotógrafos, como Robert Doisneau e Willy Ronis, desenvolveram uma abordagem dos temas do cotidiano voltada para o registro do homem comum, trabalhando nas revistas ilustradas, que retomavam seu papel de grandes veículos de comunicação. Nos Estados Unidos, a revista Life abria espaço para ensaios fotográficos de caráter autoral, tais como as matérias “Nurse Midwife” e “Country Doctor”, do fotógrafo W. Eugene Smith. Foi sob essas influências que os fotógrafos da nova geração que passou a atuar na revista O Cruzeiro no período revolucionaram o fotojornalismo brasileiro.

Luciano Carneiro foi um dos principais expoentes dessa nova geração. Suas matérias contrastavam com as de David Nasser, outra estrela de O Cruzeiro, que também assinava uma seção de duas páginas na revista. Nasser era o expoente maior de uma escola de jornalismo com viés claramente sensacionalista, à qual Luciano Carneiro se opunha frontalmente, em especial na escolha dos temas e na maneira direta e objetiva de abordá-los com imagens e textos de sua autoria.

Este embate colocava, de um lado, aqueles que buscavam uma visão mais interpretativa dos fatos e, portanto, mais passível de alinhamento com os interesses ideológicos do veículo de informação e de seus dirigentes. Do outro lado, ficavam os comprometidos com uma postura mais idealista, que acreditavam que mostrar e documentar o fato de forma direta e objetiva poderia influenciar a opinião pública e até mesmo as políticas públicas, buscando dessa maneira colocar o veículo de informação a serviço dessa visão de mundo.

A trajetória de Luciano Carneiro foi interrompida abruptamente em dezembro de 1959. Morreu em um acidente de avião quando retornava de um trabalho singelo em Brasília: fotografar o primeiro baile de debutantes da nova capital, às vésperas da inauguração. Piloto, repórter, fotógrafo, correspondente de guerra, Luciano Carneiro sempre pareceu orientar sua fotografia pela máxima de Robert Capa: “Se suas imagens não ficaram boas, é porque você não se aproximou o suficiente de seu assunto”.

Apesar de sua evidente relevância, a produção fotográfica de Luciano Carneiro não foi ainda devidamente referenciada e pesquisada. Esta exposição é o primeiro passo mais abrangente nesta direção, com o objetivo de resgatar este importante legado, situando devidamente e definitivamente a obra de Luciano Carneiro no âmbito da fotografia e das artes visuais no Brasil.

O conjunto de imagens que integra esta exposição é formado pela coleção de originais cedida ao IMS pela família do fotógrafo, em que se destacam as reportagens que realizou no exterior como correspondente da revista. O Instituto agradece à família de Luciano Carneiro por todo apoio na produção desta mostra.

Exposições

Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro

Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Local: IMS Poços de Caldas 
Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
Use #LucianoCarneiroFotojornalista para compartilhar fotografias da exposição.


Imagem no alto: Homens em marcha, 1958. Moscou - Rússia. Detalhe de fotografia de Luciano Carneiro / acervo IMS.

Local

Instituto Moreira Salles - Poços de Caldas

6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017.
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Entrada franca.

Rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados
CEP 37701-058 - Poços de Caldas/MG
Tel.: (35) 3722-2776



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21 de fevereiro a 17 de julho de 2016
Instituto Moreira Salles – São Paulo


 

Fotografias

 

Apresentamos uma seleção de fotografias que integram a exposição Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro.


Batalhão colombiano incorporado à 7a Divisão de Infantaria norte-americana, provavelmente após o ataque à colina 682, ao noroeste de Kumhwa, durante a operação Doughnut, início de julho de 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Paraquedistas norte-americanos em ação durante a operação Tomahawk, 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Paraquedistas norte-americanos em ação durante a operação Tomahawk, 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Civis e soldado sul-coreanos, 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Prisioneiros chineses ou norte-coreanos, 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Civis sul-coreanos retornam à cidade devastada, 1951. Seul, Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Mãe e filha, provavelmente no retorno a Seul, 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Civis sul-coreanos retornam a Seul, 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Paraquedistas norte-americanos em ação durante a operação Tomahawk, 1951. Munsan, Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Corpos de soldados chineses após ataque ao morro 682, noroeste de Kumhwa, 1951. Coreia do Sul. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Fidel Castro e Camilo Cienfuegos no discurso de chegada do exército revolucionário do Movimento 26 de Julho a Havana, 8 de janeiro de 1959. Base Columbia, atual Ciudad Libertad, Cuba. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Homens em marcha, 1958. Moscou, Rússia. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Salvador Dalí, sua esposa Gala Éluard e, à esquerda, o cônsul Marcos Romero durante vernissage da exposição da coleção do Museu de Arte de São Paulo no Metropolitan Museum. Nova York, EUA. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Visita a museu, 1958. Moscou, Rússia. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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Nordeste, década de 1950. Brasil. Fotografia de Luciano Carneiro/Acervo Instituto Moreira Salles.
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> Veja outras fotografias do acervo Luciano Carneiro no IMS

 

Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro

Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Local: IMS Poços de Caldas 
Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
Use #LucianoCarneiroFotojornalista para compartilhar fotografias da exposição.


Imagem no alto: Homens em marcha, 1958. Moscou - Rússia. Detalhe de fotografia de Luciano Carneiro / acervo IMS.

Local

Instituto Moreira Salles - Poços de Caldas

6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017.
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Entrada franca.

Rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados
CEP 37701-058 - Poços de Caldas/MG
Tel.: (35) 3722-2776



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Inicio

Textos da exposição


Textos que integram a exposição Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro

Apresentação
Sobre o fotógrafo
José Medeiros sobre exposição póstuma de Luciano Carneiro
Cronologia

 

Ancora

 

Apresentação


Nascido em Fortaleza, em 1926, José Luciano Mota Carneiro foi um dos jornalistas mais atuantes de seu tempo. Trabalhou na revista O Cruzeiro entre 1948 e 1959, inicialmente como repórter e, em seguida, escrevendo e fotografando. Atuou como correspondente internacional, realizando reportagens sobre a Guerra da Coreia, a vida no Japão e na Rússia, a África de Albert Schweitzer, o Egito de Nasser, a Iugoslávia de Tito, a Revolução Cubana de Fidel, em 1959.

Durante a Guerra da Coreia, em 1951, Carneiro foi um dos únicos repórteres sul-americanos. Graças a seu treinamento como paraquedista, saltou, ao lado do exército americano, sobre as linhas norte-coreanas e chinesas além do paralelo 38, linha que até hoje divide as duas Coreias. Os registros da população civil e da destruição causada pela guerra revelam o engajamento de Luciano Carneiro com o drama humano que permeia cenários como este, em especial nos retratos de idosos, mulheres e crianças afetados e deslocados pelo conflito.

Além das coberturas internacionais, realizou matérias no Brasil sobre jangadeiros, posseiros, a seca no Nordeste, a herança do cangaço, as lutas estudantis, entre outras, e diversas matérias de caráter bastante autoral reunidas na seção “Do arquivo de um correspondente estrangeiro”, em que publicava matérias ilustradas com fotografias e textos de sua autoria, normalmente em duas páginas. Nessa seção, ficam claras suas influências e modelos associados à fotografia humanista do pós-guerra.

No final dos anos 1940 e início dos anos 1950, O Cruzeiro fez uma consistente inflexão em direção a um fotojornalismo mais humanista e engajado. Essa mudança foi concretizada por fotógrafos como José Medeiros, Flávio Damm, Luiz Carlos Barreto, Henri Ballot, Eugênio Silva e o próprio Carneiro, que passaram a integrar a equipe da revista, trazendo para as fotorreportagens maior ênfase na objetividade e no caráter documental e jornalístico.

Na mesma época, na Europa, fotógrafos como Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e David Seymour formaram a agência Magnum. O objetivo era garantir maior autonomia e liberdade para seus trabalhos de documentação fotográfica. Outros fotógrafos, como Robert Doisneau e Willy Ronis, desenvolveram uma abordagem dos temas do cotidiano voltada para o registro do homem comum, trabalhando nas revistas ilustradas, que retomavam seu papel de grandes veículos de comunicação. Nos Estados Unidos, a revista Life abria espaço para ensaios fotográficos de caráter autoral, tais como as matérias “Nurse Midwife” e “Country Doctor”, do fotógrafo W. Eugene Smith. Foi sob essas influências que os fotógrafos da nova geração que passou a atuar na revista O Cruzeiro no período revolucionaram o fotojornalismo brasileiro.

Luciano Carneiro foi um dos principais expoentes dessa nova geração. Suas matérias contrastavam com as de David Nasser, outra estrela de O Cruzeiro, que também assinava uma seção de duas páginas na revista. Nasser era o expoente maior de uma escola de jornalismo com viés claramente sensacionalista, à qual Luciano Carneiro se opunha frontalmente, em especial na escolha dos temas e na maneira direta e objetiva de abordá-los com imagens e textos de sua autoria.

Este embate colocava, de um lado, aqueles que buscavam uma visão mais interpretativa dos fatos e, portanto, mais passível de alinhamento com os interesses ideológicos do veículo de informação e de seus dirigentes. Do outro lado, ficavam os comprometidos com uma postura mais idealista, que acreditavam que mostrar e documentar o fato de forma direta e objetiva poderia influenciar a opinião pública e até mesmo as políticas públicas, buscando dessa maneira colocar o veículo de informação a serviço dessa visão de mundo.

A trajetória de Luciano Carneiro foi interrompida abruptamente em dezembro de 1959. Morreu em um acidente de avião quando retornava de um trabalho singelo em Brasília: fotografar o primeiro baile de debutantes da nova capital, às vésperas da inauguração. Piloto, repórter, fotógrafo, correspondente de guerra, Luciano Carneiro sempre pareceu orientar sua fotografia pela máxima de Robert Capa: “Se suas imagens não ficaram boas, é porque você não se aproximou o suficiente de seu assunto”.

Apesar de sua evidente relevância, a produção fotográfica de Luciano Carneiro não foi ainda devidamente referenciada e pesquisada. Esta exposição é o primeiro passo mais abrangente nesta direção, com o objetivo de resgatar este importante legado, situando devidamente e definitivamente a obra de Luciano Carneiro no âmbito da fotografia e das artes visuais no Brasil.

O conjunto de imagens que integra esta exposição é formado pela coleção de originais cedida ao IMS pela família do fotógrafo, em que se destacam as reportagens que realizou no exterior como correspondente da revista. O Instituto agradece à família de Luciano Carneiro por todo apoio na produção desta mostra.

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Ancora

 

Sobre o fotógrafo


José Luciano Mota Carneiro (Fortaleza, 1926-Rio de Janeiro, 1959), filho de Antônio Magalhães Carneiro e Maria Carmélia Mota Carneiro, nasceu no dia 9 de outubro. Iniciou sua carreira como jornalista nos jornais Correio do Ceará e O Unitário, periódicos que integravam os Diários Associados. Começou a fotografar nesse mesmo período e, em 1948, passou a integrar a equipe da revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, como repórter. Suas fotos passariam a ilustrar as reportagens um ano depois. 


Foi correspondente internacional da revista, cobrindo a Guerra da Coreia entre 1951 e 1952, e realizou diversas reportagens internacionais até 1955. Em 1956, de volta ao Brasil, em sua seção na revista intitulada “Do arquivo de um correspondente estrangeiro”, desenvolve matérias ilustradas com fotografias e textos de sua autoria, normalmente em duas páginas, que funcionavam como páginas de opinião.

retrato de Luciano Carneiro em 1954
Luciano Carneiro durante cobertura do jogo Brasil x Hungria na copa do mundo de futebol de 1954. Suíça. Fotografia de autor desconhecido.

 

Luciano Carneiro morreu tragicamente, no dia 22 de dezembro de 1959, em um acidente de avião próximo à cidade do Rio de Janeiro, quando retornava de um trabalho em Brasília. Dos destroços do avião, foram resgatadas suas máquinas fotográficas e os filmes com as fotos.

Foi homenageado em O Cruzeiro com a publicação do que seria sua última matéria, no dia 16 de janeiro de 1960, sem título nem textos, apenas imagens – em uma delas, aparece o próprio fotógrafo refletido em um espelho. Antes, na edição de 9 de janeiro, que anunciava o falecimento, foram publicadas duas páginas escritas por David Nasser lamentando a perda do colega. No texto, Nasser ressalta as diferenças entre o jornalismo praticado por ambos e, ao mesmo tempo, reconhece e enaltece sua objetividade e seu humanismo. Na edição de 16 de janeiro, foi Rachel de Queiroz quem publicou sua homenagem.

 

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Ancora

 

Exposição Fotográfica


Texto do fotógrafo José Medeiros sobre a exposição póstuma em homenagem a Luciano Carneiro, escrito para a revista O Cruzeiro em fevereiro de 1960.


Esta não é uma exposição comum. É a mostra de um grande, de um estupendo profissional do moderno jornalismo brasileiro, que usava e sabia usar a câmera fotográfica miniatura, com a mesma paixão, com o mesmo amor que tinha pela própria vida.

Desapareceu tragicamente num desastre de aviação, aos 33 anos de idade. Luciano Carneiro deixou um trabalho tão grande e um nome que não pode ser esquecido quando se escrever a história do moderno jornalismo brasileiro.

Chegando do Ceará quase adolescente, há 11 anos, trazia a flama do grande jornalista que seria. Pouco ficou no Rio, fazendo um período de aprendizagem. Já havia aprendido na província os conhecimentos básicos, aliados ao seu amor pela verdade do fato, pela pesquisa da história a contar e pela lisura do tratamento.

Depois de um ano e pouco no Rio, embarcou para o Japão. Ao estourar a guerra na Coreia, soube que Luciano se juntara as tropas da ONU. Durante sua estada no Rio, havia feito um curso de paraquedismo para civis. E aproveitou seus conhecimentos para atirar-se com as tropas em campo inimigo. Os soldados com suas armas: metralhadoras, granadas, fuzis. Luciano também com sua arma: a máquina fotográfica. E documentou com ela as mais comoventes cenas de libertação. As misérias da fome, a vida nas trincheiras, a morte sempre presente eram os assuntos do dia a dia.

Luciano conheceu praticamente o mundo inteiro. Viajou exageradamente. Foi várias vezes aos Estados Unidos, à Europa. Entrevistou personalidades mundiais. Tirou o máximo de sua curta existência, viveu intensamente como que antevendo secretamente o prematuro desaparecimento. Somente uma única vez falamos em coisa de morte. Disse-me que não passaria dos 40 anos. Acharia tedioso ficar velho. Falou brincando... (...)

 

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Ancora

 

Cronologia


1926

José Luciano Mota Carneiro nasce no dia 9 de outubro, em Fortaleza, Ceará.

 

1940-1947

Inicia, adolescente, a carreira de jornalista, nos jornais O Unitário e Correio do Ceará, de Fortaleza. Mais tarde, passa a colaborar com a Ceará Rádio Clube.

Tira o brevê de piloto de aviação civil em 1947.

Adquire sua primeira câmera, uma Rolleiflex.

Ingressa na faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.

 

1948-1949

É contratado para o departamento de texto de O Cruzeiro, muda-se para a então capital federal e é publicada sua primeira matéria, “Jerônimo vai ao Rio”. Passa a integrar também o departamento fotográfico da revista.

Na mesma época, começa a colaborar como fotógrafo para A Cigarra.

 

1951

Inicia a trajetória de correspondente estrangeiro de O Cruzeiro, na Guerra da Coreia. Salta de paraquedas ao lado do exército americano sobre as linhas inimigas, ultrapassando o Paralelo 38.

Visita o Japão, documentando o modo de vida nipônico contemporâneo e a recuperação da cidade de Hiroshima após o bombardeio de 1945.

 

1952

Vai à Europa para documentar a homenagem de O Cruzeiro aos pracinhas brasileiros sepultados no cemitério de Pistoia, na Itália. Segue para Belgrado, onde entrevista e fotografa o Marechal Tito.

Recebe a medalha de ouro no programa “Honra ao Mérito”, da Rádio Nacional.

 

1953

Em Londres, ao lado de Assis Chateaubriand, documenta a coroação da rainha Elizabeth ii.

 

1954

Vai ao Egito logo após a derrubada da monarquia e entrevista o presidente Mohammed Naguib.

No mesmo ano, fotografa a Copa do Mundo de futebol na Suíça, ao lado de Luiz Carlos Barreto e Indalécio Wanderley.

 

1955

Vai à cidade africana de Lambaréné, no Gabão, documentar o trabalho do médico Albert Schweitzer no tratamento da hanseníase.

 

1956

Inicia a série de matérias intituladas “Do arquivo de um correspondente estrangeiro”, coluna onde publicou fotos e textos de suas viagens para o exterior entre os anos de 1951 e 1955.

Retorna ao Egito no episódio da nacionalização do Canal de Suez.

 

1957

Vai a Londres para documentar a posse de Assis Chateaubriand como embaixador do Brasil na Inglaterra.

Casa-se com Maria da Glória Stroebel.

Produz a reportagem “A rebelião dos posseiros”, sobre a revolta camponesa de Trombas e Formoso.

 

1958

Após diversas tentativas de conseguir um visto para entrar na Rússia – dificultadas pelo fato de ter entrado na Coreia do Norte com os soldados norte-americanos – teve o visto liberado a partir de um telegrama endereçado diretamente ao secretário geral do Partido Comunista Russo, Nikita Kruschev.

Cobre a Copa do Mundo de futebol na Suécia.

 

1959

Cobre a Revolução Cubana, entrevistando Fidel Castro e documentando sua chegada em Havana após derrubar o presidente Fulgêncio Batista.

 

Morre em 22 de dezembro, aos 33 anos, em um acidente de avião no subúrbio do Rio de Janeiro, quando retornava da cobertura do primeiro baile de debutantes de Brasília. O Viscount da Vasp onde estava Luciano e mais cerca de 40 pessoas choca-se com um Fokker de treinamento da fab em movimentação irregular e cai sobre uma casa no bairro de Ramos.

Deixa mulher, grávida do segundo filho, e uma filha de 2 anos.

Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro

Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Local: IMS Poços de Caldas 
Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
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Imagem no alto: Homens em marcha, 1958. Moscou - Rússia. Detalhe de fotografia de Luciano Carneiro / acervo IMS.

Local

Instituto Moreira Salles - Poços de Caldas

6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017.
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Entrada franca.

Rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados
CEP 37701-058 - Poços de Caldas/MG
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Vídeos

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Um retrato de Luciano Carneiro (versão completa)


Entenda um pouco do espírito aventureiro, visionário, competitivo, inovador e sagaz de Luciano Carneiro revelado em depoimentos de parentes e ex-companheiros de O Cruzeiro no vídeo produzido para a exposição do fotógrafo.

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Um retrato de Luciano Carneiro (versão resumida)


Luciano Carneiro filho, o fotógrafo Flávio Damm e o cartunista Ziraldo falam sobre o trabalho de Luciano Carneiro, que atuou na revista O Cruzeiro do final dos anos 1940 até a década seguinte.


Todos os vídeos têm câmera e edição de Laura Liuzzi.

 

Mais vídeos sobre Luciano Carneiro

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Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Local: IMS Poços de Caldas 
Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
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Imagem no alto: Homens em marcha, 1958. Moscou - Rússia. Detalhe de fotografia de Luciano Carneiro / acervo IMS.

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Sobre Luciano Carneiro

 

José Luciano Mota Carneiro (Fortaleza, 1926-Rio de Janeiro, 1959), filho de Antônio Magalhães Carneiro e Maria Carmélia Mota Carneiro, nasceu no dia 9 de outubro. Iniciou sua carreira como jornalista nos jornais Correio do Ceará e O Unitário, periódicos que integravam os Diários Associados. Começou a fotografar nesse mesmo período e, em 1948, passou a integrar a equipe da revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, como repórter. Suas fotos passariam a ilustrar as reportagens um ano depois. 

Foi correspondente internacional da revista, cobrindo a Guerra da Coreia entre 1951 e 1952, e realizou diversas reportagens internacionais até 1955. Em 1956, de volta ao Brasil, em sua seção na revista intitulada “Do arquivo de um correspondente estrangeiro”, desenvolve matérias ilustradas com fotografias e textos de sua autoria, normalmente em duas páginas, que funcionavam como páginas de opinião.

retrato de Luciano Carneiro em 1954
Luciano Carneiro durante cobertura do jogo Brasil x Hungria na copa do mundo de futebol de 1954. Suíça. Fotografia de autor desconhecido.

 

Luciano Carneiro morreu tragicamente, no dia 22 de dezembro de 1959, em um acidente de avião próximo à cidade do Rio de Janeiro, quando retornava de um trabalho em Brasília. Dos destroços do avião, foram resgatadas suas máquinas fotográficas e os filmes com as fotos.

Foi homenageado em O Cruzeiro com a publicação do que seria sua última matéria, no dia 16 de janeiro de 1960, sem título nem textos, apenas imagens – em uma delas, aparece o próprio fotógrafo refletido em um espelho. Antes, na edição de 9 de janeiro, que anunciava o falecimento, foram publicadas duas páginas escritas por David Nasser lamentando a perda do colega. No texto, Nasser ressalta as diferenças entre o jornalismo praticado por ambos e, ao mesmo tempo, reconhece e enaltece sua objetividade e seu humanismo. Na edição de 16 de janeiro, foi Rachel de Queiroz quem publicou sua homenagem.

MAIS

Acervo Luciano Carneiro no IMS

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Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Local: IMS Poços de Caldas 
Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
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Eventos

 

Não há eventos previstos.



EVENTOS ANTERIORES

 

Abertura da exposição no IMS de São Paulo e visita guiada com os curadores

20 de fevereiro de 2016, sábado, às 17h. Evento gratuito, aberto ao público.

A exposição pode ser visitada a partir de 17h. Haverá visita guiada com os curadores, Sergio Burgi e Joanna Balabram.

Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro

Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
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Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
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Publicações relacionadas a Luciano Carneiro

 

 

POR DENTRO DO ACERVO DO IMS

Coreia, 1951
Uma das facetas de Luciano Carneiro exibidas na exposição Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro, é a de fotógrafo de guerra, representada por seu trabalho no conflito da Coreia e apresentada neste texto de Sergio Burgi e Samuel Titan Jr, retirado de um dos livros da caixa A hora e o lugar.

 

Luciano Carneiro, um fotojornalista do Brasil no mundo

REVISTA ZUM

Fotógrafos do ar: Luciano Carneiro, Félix Nadar, Robert Capa e George Love
Por Ângelo Manjabosco
Muitos acreditam que o ser humano não foi criado para ficar suspenso no ar, 10.000 metros acima do chão, mas alguns fotógrafos parecem lidar com isso a partir de outra lógica. Entre eles estão o norte-americano George Love,  Robert Capa e Luciano Carneiro, fotojornalista brasileiro que atuou principalmente na revista O Cruzeiro.

 



BLOG DO IMS

Divergências à parte
Artigo de Hélio Fernandes em memória de Luciano Carneiro publicado logo após a morte do fotojornalista em 1959 não esconde as divergências que mantinham sobre “os caminhos e descaminhos do jornalismo”. O debate continua atual, embora sem a mesma elegância.

 



BLOG DO IMS

O futuro como ele era
Por Alfredo Ribeiro
Entre as marcas registradas do incrível currículo do fotojornalista Luciano Carneiro, ‘A Praia do Futuro’ – título de reportagem que assinou em 1949 no “Correio do Ceará” – virou anos depois nome do trecho mais badalado hoje em dia na orla de Fortaleza. Luciano a descobriu pilotando um teco-teco quando o local não era acessível por terra.

 

Tragédia não anunciada

BLOG DO IMS

Tragédia não anunciada
Por Alfredo Ribeiro
O fotojornalista Luciano Carneiro morreu em desastre aéreo na volta da cobertura de um baile de debutantes em Brasília, em 1959. Conheça essa história.

 

Luciano Carneiro, um fotojornalista do Brasil no mundo

VÍDEOS DO IMS

Do arquivo de um correspondente estrangeiro: um retrato de Luciano Carneiro 
Entenda um pouco do espírito aventureiro, visionário, competitivo, inovador e sagaz do fotógrafo Luciano Carneiro, revelado em depoimentos de parentes e ex-companheiros de O Cruzeiro.

 



REVISTA ZUM

Luciano Carneiro, um fotojornalista do Brasil no mundo 
Luciano Carneiro foi um dos fotojornalistas mais atuantes de seu tempo. Um dos únicos repórteres sul-americanos a cobrir a Guerra da Coreia, em 1951, com seu espírito aventureiro e um brevê de paraquedista saltou sobre as linhas inimigas durante o conflito, ao lado do exército americano.

 

Informações sobre o acervo Luciano Carneiro no IMS

ACERVOS DO IMS

Acervo Luciano Carneiro no IMS
Página dedicada ao acervo Luciano Carneiro no Instituto Moreira Salles.

 

Informações sobre a caixa de livros A hora e o lugar

REVISTA ZUM

A hora e o lugar: conheça os livros de Alice Brill, Guilherme Santos, Jorge Bodanzky, Luciano Carneiro e Otto Stupakoff
Muito diversas entre si, mas com a intenção de registrar os acontecimentos no calor do momento, as fotografias presentes nessa caixa com cinco livros vão do carnaval carioca aos campos de batalha; de uma São Paulo em desenvolvimento à Amazônia; do Brasil ao extremo oriente. O site da ZUM apresenta um aperitivo de cada livro.

 

Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro

Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Local: IMS Poços de Caldas 
Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
Use #LucianoCarneiroFotojornalista para compartilhar fotografias da exposição.


Imagem no alto: Homens em marcha, 1958. Moscou - Rússia. Detalhe de fotografia de Luciano Carneiro / acervo IMS.

Local

Instituto Moreira Salles - Poços de Caldas

6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017.
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Entrada franca.

Rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados
CEP 37701-058 - Poços de Caldas/MG
Tel.: (35) 3722-2776



Locais anteriores

21 de fevereiro a 17 de julho de 2016
Instituto Moreira Salles – São Paulo


 

Informações para a imprensa: release e contatos

 

A exposição Do arquivo de um correspondente estrangeiro – Fotografias de Luciano Carneiro, apresenta o trabalho de um dos nomes mais importantes do fotojornalismo brasileiro


O Instituto Moreira Salles inaugura no dia 20 de fevereiro, em seu centro cultural de São Paulo, a exposição Do arquivo de um correspondente estrangeiro – Fotografias de Luciano Carneiro, com 150 imagens do final da década de 1940 e da década de 1950, período em que o fotojornalista cearense atuou na revista O Cruzeiro. A mostra pretende difundir a visão de um talento ainda pouco conhecido na história da fotografia brasileira e permite um denso recorte do início do moderno fotojornalismo no país. Por ocasião da abertura, às 17h, acontecerá uma visita guiada com os curadores Sergio Burgi e Joanna Balabram.

Luciano Carneiro foi um dos jornalistas mais atuantes de seu tempo. Em uma curta carreira, interrompida por sua morte aos 33 anos em um acidente aéreo, logo se destacou entre os principais nomes de O Cruzeiro. Trabalhou na revista entre 1948 e 1959, inicialmente como repórter e, no ano seguinte, escrevendo e fotografando. Nesse período, a publicação fez uma consistente inflexão em direção a um fotojornalismo mais humanista e engajado. Essa mudança foi concretizada por fotógrafos como José Medeiros, Flávio Damm, Luiz Carlos Barreto, Henri Ballot, Eugênio Silva e o próprio Carneiro, que passaram a integrar a equipe da revista, trazendo para as fotorreportagens maior ênfase na objetividade e no caráter documental e jornalístico.  

Graças à enorme estrutura dos Diários Associados, grupo do qual a revista fazia parte, Carneiro pôde fazer séries de reportagens em quatro continentes, incluindo a cobertura da Guerra da Coreia, em 1951, sendo um dos únicos repórteres sul-americanos a cobrir o conflito. Com seu espírito aventureiro e com um brevê de paraquedista que possuía, saltou, ao lado do exército americano, sobre as linhas inimigas durante a guerra.

Carneiro documentou, em 1955, o trabalho humanista do dr. Albert Schweitzer na África – premiado três anos antes com o Nobel da Paz. Acompanhou a entrada de Fidel Castro e seus companheiros vitoriosos em Havana, em janeiro de 1959, e realizou ainda reportagens no Japão, na Rússia e no Egito de Gamal Abdel Nasser, presidente daquele país de 1954 até 1970.

No Brasil, realizou matérias sobre jangadeiros, posseiros, a seca no Nordeste, a herança do cangaço, as lutas estudantis e ainda diversas matérias reunidas na seção “Do arquivo de um correspondente estrangeiro” na revista O Cruzeiro, da qual era titular e onde expressava livremente suas opiniões. Ali, revelava influências da fotografia humanista do pós-guerra praticada por fotógrafos como Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, Robert Doisneau e W. Eugene Smith. Era um contraponto à coluna de duas páginas de David Nasser, expoente de uma escola de jornalismo de viés sensacionalista, a qual Carneiro se opunha frontalmente.

Esse conjunto de imagens corresponde integralmente à coleção de originais cedida ao IMS por sua família, em que se destacam as reportagens que realizou no exterior como correspondente da revista.

Além das fotografias originais, serão exibidos materiais de época, como revistas e recortes de matérias. Outro destaque é um vídeo com entrevistas de Luiz Carlos Barreto, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Flávio Damm além de dois depoimentos inéditos de Ziraldo e de Luciano Carneiro Filho em que comentam a influência exercida pela geração de fotojornalistas dessa época e analisam, em especial, o trabalho de Carneiro.

 

Sobre o fotógrafo


José Luciano Mota Carneiro (Fortaleza, 1926-Rio de Janeiro, 1959), filho de Antônio Magalhães Carneiro e Maria Carmélia Mota Carneiro, nasceu no dia 9 de outubro. Iniciou sua carreira como jornalista nos jornais Correio do Ceará e O Unitário, periódicos integrantes dos Diários Associados. Começou a fotografar nesse mesmo período e, em 1948, passou a integrar a equipe da revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, como repórter. Suas fotos passariam a ilustrar as reportagens um ano depois.

Luciano Carneiro morreu tragicamente, no dia 22 de dezembro de 1959, em um acidente de avião próximo à cidade do Rio de Janeiro, quando retornava de um trabalho em Brasília: fotografar o primeiro baile de debutantes da nova capital, então às vésperas da inauguração. 

Dos destroços do avião, foram resgatadas suas máquinas fotográficas e os filmes com as fotos. A revista o homenageou publicando o que seria sua última matéria, no dia 16 de janeiro de 1960, sem título nem textos, apenas imagens – em uma delas, aparece o próprio fotógrafo refletido em um espelho. Antecedendo as imagens do acidente, na edição de 9 de janeiro, que anunciava o falecimento, foram publicadas duas páginas escritas por David Nasser lamentando a perda do colega. No texto, Nasser ressalta as diferenças entre o jornalismo praticado por ambos e, ao mesmo tempo, reconhece e enaltece sua objetividade e seu humanismo. Na edição de 16 de janeiro, foi Rachel de Queiroz quem publicou sua homenagem.

 

Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro


Curadoria de Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: de 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017.

De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 

Entrada franca - Classificação livre

 

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Do arquivo de um correspondente estrangeiro: fotografias de Luciano Carneiro

Curadoria: Sergio Burgi e Joanna Balabram

Visitação: 6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017. 
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Local: IMS Poços de Caldas 
Entrada franca.

Site: lucianocarneirofotojornalista.ims.com.br
Use #LucianoCarneiroFotojornalista para compartilhar fotografias da exposição.


Imagem no alto: Homens em marcha, 1958. Moscou - Rússia. Detalhe de fotografia de Luciano Carneiro / acervo IMS.

Local

Instituto Moreira Salles - Poços de Caldas

6 de agosto de 2016 a 22 de janeiro de 2017.
De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 13h às 19h. 
Entrada franca.

Rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados
CEP 37701-058 - Poços de Caldas/MG
Tel.: (35) 3722-2776



Locais anteriores

21 de fevereiro a 17 de julho de 2016
Instituto Moreira Salles – São Paulo


 

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