Paulo Mendes Campos

Poeta, tradutor e cronista refinado, Paulo Mendes Campos nasceu em 28 de fevereiro de 1922, em Belo Horizonte (MG), filho do médico e escritor Mário Mendes Campos e de Maria José Lima Campos. Criado com nove irmãos em ambiente familiar de poliglotas e anglófonos, foi a mãe quem lhe despertou o gosto pela poesia. Em 1937, conheceu o adolescente de mesma idade Otto Lara Resende, em São João del-Rey, que seria seu amigo de toda a vida. No ano seguinte, em Belo Horizonte, onde passou a morar, os dois rapazes juntaram-se a Fernando Sabino e Hélio Pellegrino: formava-se o lendário quarteto que Otto batizaria de “os quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse”.

O trabalho como guarda sanitário na antiga Diretoria de Saúde Pública de Minas Gerais não impediu que Paulo Mendes Campos iniciasse os cursos de odontologia, veterinária e direito. Sem concluir nenhum deles, frequentou também, durante um ano, o curso de aviador na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre, mas foi só entre os anos de 1939 e 1945, quando exerceu o jornalismo, primeiramente em O Diário, de Belo Horizonte, e depois em outros periódicos da mesma cidade, como redator, que enfrentaria sua vocação “mais séria e mais alta”, igualmente na prosa e na poesia, como observaria Otto Lara Resende.

Nesses anos belo-horizontinos, com o grupo de amigos, viveu uma época em que “a insônia era uma atitude literária”, ainda na expressão de Otto. As leituras seguiam noite adentro e abasteceram o talento de Paulo Mendes Campos de uma fibra cuja solidez se disfarçava na sobriedade de seu temperamento discreto.

Paulo Mendes Campos começou de fato a carreira de cronista no Diário Carioca e no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1945 e onde voltaria a conviver com os amigos mineiros, que também se mudariam para a então capital do Brasil. O ano de 1951 marcou dois acontecimentos importantes em sua vida: o lançamento do livro de poemas A palavra escrita, o primeiro dos 15 que publicou, e o casamento com a inglesa Joan Abercrombie, com quem teria dois filhos, Gabriela e Daniel.  

Em ritmo de trabalho intensíssimo, foi, naquela década de 1950, cronista do Jornal do Brasil e da revista semanal Manchete. Nesta, desde o seu primeiro número. Os parcos cruzeiros ganhos com as muitas colaborações na imprensa não lhe permitiram escapar do serviço público: paralelamente à atividade jornalística e literária, ele foi diretor do Departamento de Obras Raras da Biblioteca Nacional e, depois de exercer outras funções administrativas em instituições diversas, se aposentaria em 1981 como técnico em comunicação social da Empresa Brasileira de Notícias (EBN).

Em 1958, com a publicação do segundo livro de poemas, O domingo azul do mar, que reúne também A palavra escrita, veio o reconhecimento como poeta, a que se somaria ainda o do tradutor de Shakespeare e Oscar Wilde, entre muitos outros. Foi ainda roteirista de documentários para a televisão, assinando o texto do teleteatro Poema barroco, sobre a vida do escultor mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Esse texto, especialmente, integrou a série Caso Especial da Rede Globo de Televisão e foi exibido em 1977, sob a direção de Fabio Sabag, com Stênio Garcia no papel do escultor.

A partir de 1999, a editora Civilização Brasileira passou a reeditar os 15 títulos de Paulo Mendes Campos publicados em vida. A obra em prosa, com novos títulos, ordenados por tema, foi organizada pelo jornalista Flávio Pinheiro, que recolheu para a mesma série textos antes desprezados. Desse modo, o “cronista em tempo integral”, como define o organizador das edições, ressurgiu em suas múltiplas facetas nesse gênero em que foi mestre ao lado de Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade. Os textos memorialísticos reunidos em Cisne de feltro, passando pelo lírico observador das cidades e do povo presente em Brasil brasileiro, revelam o cronista de “lucidez cortante servida por erudição fluida”, nas palavras de Flávio Pinheiro.

Paulo Mendes Campos morreu em 1º de julho de 1991, no Rio de Janeiro.

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